Sobre o cabelo crespo masculino

Há tempos que estava querendo falar sobre o cabelo crespo masculino, mas sempre deixava para depois. Mas, após uma belíssima contribuição dias atrás de um amigo, com o vídeo do Sérgio Pererê, finalmente resolvi dar início a este assunto.
Muito se fala sobre o alisamento do cabelo feminino, em decorrência ao racismo sofrido na infância. Mas pouco se fala sobre o cabelo masculino.
Honestamente, eu nem sei onde começa esta "opressão capilar": se na escola ou em casa. Nada me tira da cabeça que é em casa. Eu vejo os meninos de cabelos lisos (ou até mesmo cacheados, mas com fios finos/não-crespos) com seus fios longos e livres. As mães deixam o cabelo crescer com liberdade, e apenas vão ao cabeleireiro aparar as pontas quando o corte começa a perder a forma. Mas, quando se trata de meninos com cabelos crespos, dificilmente conseguimos ver uma criança com mais de 1cm de comprimento de fio na cabeça. E este "corte" (ou deveríamos chamar de raspagem?) se mantém até a velhice.
É claro que alguns homens, em algum ponto da vida, se libertam deste estigma e aceitam seus cabelos crespos, ostentando belíssimos dreads, tranças, afropuff, ou simplesmente um cabelo com corte convencional.
Mas, normalmente, assim como acontece com as mulheres, estes homens libertos são considerados "moderninhos", ou "alternativos", "hippies" ou até mesmo "rebeldes". Muitos precisam encarar os olhares preconceituosos ao andar nas ruas, ao ouvir o som dos vidros dos carros se fechando quando se aproximam, ou as pessoas segurando suas bolsas de forma mais desconfiada. Além disto, correm o risco de serem abordados pela polícia ou seguranças de estabelecimentos, por parecerem "suspeitos".
Talvez seja por isto que eles tem seus cabelos raspados desde a mais tenra infância. Talvez seus pais temam pela sua segurança. Talvez apenas queiram evitar que seus filhos sofram o que já sofreram.
Bem... Conheço um homem negro que NUNCA (repito: NUNCA) raspou seu cabelo. Sempre curtiu sua negritude e sempre se orgulhou dela, não importando com o que os outros pensam ou deixam de pensar. Legal, né?
Ele é um grande amigo, primo da minha "madrinha na consciência racial" Cecilia Carvalho e marido da minha grande amiga Mariana Castanheira.
Este homem é o Tulio Carvalho. Pedi a ele que gentilmente me cedesse algumas fotos de versões de formas de se usar o cabelo crespo. Ele sempre curtiu seu cabelo, SEMPRE!
Que o Tulio seja exemplo para tantos outros negros que se escondem atrás de seus cabelos raspados. É inegável: até mesmo o homem fica muito mais bonito quando assume seus cabelos crespos!

Sheilla

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