1ª CAMINHADA CRESPA DE BH


Ontem fui à 1ª Caminhada Crespa de Belo Horizonte.

Achei a iniciativa muito bacana, pois o entendimento do cabelo crespo como um "cabelo bom" é algo que está ainda engatinhando em nossa sociedade.

Vejo que há uma crítica muito grande sobre a ênfase na valorização da estética negra, ao passo que temos tantas outras urgências sociais ligadas ao povo  negro do Brasil, tais como: genocídio de jovens negros, racismo na escola, falta de oportunidades acadêmicas, etc. Eu entendo a crítica e concordo – não devemos simplesmente focar na estética negra e ignorar as demais demandas da população.

Mas não podemos deixar de observar que, normalmente, o despertar da pessoa negra para si e para sua história inicia-se no cabelo. A partir do momento em que a pessoa assume o cabelo crespo, ela assume sua história, sua ancestralidade, e passa a se orgulhar dela, aprender mais sobre ela e a lutar pela manutenção dela na história do país. E, quando penso que o fator “empoderamento capilar” é algo comum em todas as pessoas negras, creio que sim, a valorização da estética negra é um excelente ponto de partida para todas as outras lutas.

Malcom-X uma vez disse uma frase que tem muito a ver com isso e que transcrevo aqui para vocês: "O maior erro de um movimento é tentar organizar pessoas que estão dormindo para lutar por objetivos específicos. Você deve fazer as pessoas acordarem primeiro, e então você entra em ação."

E realmente foi edificante e maravilhoso participar deste evento.

Por motivos físicos, não consegui participar da caminhada em si. Mas sim, participei da concentração antes da caminhada, o que foi maravilhoso.

Ali pude contemplar a diversidade dentro do universo negro. Os diferentes tons de pele e texturas de cabelo me surpreenderam, me fazendo lembrar dos inúmeros textos sobre colorismo que já li. Ainda que eu soubesse que há várias texturas de cabelo, poder contemplar de perto esta diversidade foi maravilhoso!

Foto com a linda Sandrinha
Além disto, superando a minha timidez (sim, sou tímida, embora não pareça) pude conhecer algumas pessoas lindas que agora são minhas amigas virtuais (e espero que a partir de agora reais também). Conheci a fotógrafa Angel Jackson (confira o trabalho dela clicando aqui), as lindas Dayane Fontoura e Karine Fontoura (da página Crespatitude: clique aqui) e também uma das organizadoras do evento, a Sandrinha Flávia Elissandra.

Na concentração pudemos desfrutar de algumas apresentações (dança, música e poemas...) e breves (e empoderadores) discursos. Fiz questão de gravar alguns deles e colocá-los em meu canal no youtube (clique aqui).

Destes discursos, houve dois que mais me impactaram.

O primeiro, de uma menina linda, falando da importância de se trabalhar a conscientização das crianças negras, para prepará-las para o racismo [inevitável] da escola. Foi maravilhoso ver uma criança pegando um microfone e falando, por si mesma, sobre um assunto que a atinge e a faz refletir.

O segundo da Cristal, uma transexual muito bonita que falou sobre o racismo associado à transfobia que passou no decorrer de sua vida e como ela o supera a cada dia. Ela trouxe a tona um assunto pouquíssimo conversado que é o racismo em relação às pessoas de diferentes orientações sexuais que sofrem ataques sociais.

E eu não posso deixar de recordar que em uma apresentação de música e poema de algumas mulheres negras, enquanto a locutora dizia “eu descendo de Zumbi” eu ouvi um senhor, morador de rua, sussurrando baixo para si mesmo:  “deste jeito eu não vou conseguir e vou chorar”. Sim, meu querido. O sentimento que bateu em seu peito é o mesmo meu e o mesmo de toda a comunidade negra que ali estava. Descendemos de Zumbi e de muitos outros homens e mulheres contemporâneos dele, e carregamos a luta deles em nossas vidas ainda hoje.  Sim, todos fomos impactados pela força daquele poema.

É... Como diz a frase temática do evento: “não é só por cabelo”. O cabelo é só o começo.

As fotos, deixo registradas em minha página do facebook (confira clicando aqui), que agora oficialmente lanço, juntamente com este blog.

Ubuntu, povo negro.


Sheilla

Um comentário:

  1. :) Felicidade saber que você sentiu tão bem assim!
    é por nós essa luta! VAMOS LÁ! E VAMOS JUNTAS!
    Muita prosperidade ao seu blog!

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