FORÇAS TRANÇADAS

Ontem fui a um evento afro em BH: Encontro de trançadeiras "FORÇAS TRANÇADAS" (http://migre.me/s7OWV).
O nome faz referência às trançadeiras, que fazem um belíssimo trabalho nos cabelos crespos, os deixando ainda mais belos, coloridos, diversos.
Estas tranças não são simplesmente enfeite capilar, mas carregam história. Esta prática chegou aqui através das africanas escravizadas que trançavam os cabelos de suas filhas, netas e parentes, enquanto passavam conhecimento via oral.
Minha filha viu uma linda menina, cheia de tranças azuis. Quando fui perguntar qual o valor e tempo de trançar, a trançadeira me perguntou: “mas qual tipo de trança você quer?”. Realmente, há vários tipos de tranças, e pude observá-los sendo feitos... Coladas no couro cabeludo, soltas, apenas uma trança,... Cada uma mais linda do que a outra. Difícil escolher. Como a trança que a minha pequena escolheu demoraria muito a ser feita (2 horas), decidi deixar para outro momento. Peguei o contato da trançadeira e ligarei para agendar um horário, caso ainda seja a vontade da pequena.
Além do trabalho das trançadeiras, havia muitos expositores por lá vendendo belíssimos assessórios e algumas bonecas abayomi.
Tinha até venda de artigos eróticos, de "O prazer é teu" (https://www.facebook.com/oprazereteu/?fref=ts) - fez o maior sucesso, né, Elisângela Silva?
Comprei alguns acessórios. Foi muito difícil escolher, dado a diversidade e beleza de todos... Mas comprei um brinco da Lolita Az Avessas - da estilista Lorena Santos (https://www.facebook.com/LolitaAzAvessas/?ref=ts&fref=ts), dois turbantes (um para mim, outro para minha filha) da Black Vika (https://www.facebook.com/BlackVikaRoupasacessoriosEProduc…/…) da querida Virgínia Marques e um belíssimo colar da Gislaine Matos.
Sabe, sempre que eu vou para eventos afro, sempre vou motivada a adquirir produtos dos irmãos, a fim de fortalecer este comércio. Mas o mais interessante é que eu não comprei somente por isso (nem no Forças Trançadas, nem no Canjerê Festival quilombola). Eu acabei adquirindo porque realmente os produtos são de excelente qualidade e o atendimento maravilhoso. O incentivo ao comércio, que antes era meu objetivo, acabou se tornando secundário, ainda que importante.
Além disto, havia apresentações de música e dança, da mais excelente qualidade também. Fiquei com vontade de ir aos shows...
A única coisa que fiquei triste foi de ir embora antes de iniciar a oficina de confecção de boneca abayomi. Queria muito aprender. Um dia, quem sabe...
Enfim... Pude vislumbrar que o significado de “Forças Trançadas” vai além do óbvio. Ali, senti que eu estava em um local onde se respirava alegria e união. Minha filha corria livre pelo espaço. Todas as crianças eram tão acolhedoras, assim como os adultos. Ali reinava alegria e espírito de unidade e respeito mútuo. E não estou falando isso para tornar o texto bonito. Sabe quando você se sente em casa? Sabe quando o ambiente é extremamente agradável, honesto e confiável? Pois é. Foi exatamente assim que me senti ali. Ali, as forças realmente estavam trançadas... Trançadas no resgate de nossa cultura e na união de um povo que tentaram separar mas que, contra a corrente, não só resistem mas fortalecem os laços de amor.
Mais uma vez, saí de um evento cultural afro com a convicção de que quero mais, muito mais. Entre meu povo, me sinto em casa. Me sinto parte. Sim, desta vez cheguei e saí me sentindo parte. E acho que nunca mais deixo de me sentir assim.
Às irmãs que conheci, muito obrigada pela acolhida. A cada evento, uma nova amizade, uma nova força a ser trançada entre eu e a comunidade a qual pertenço.
Ubuntu.

Sheilla

Um comentário:

  1. As tranças raiz que já fiz todas demoraram mais de 1 hora, e o último rastafari que fiz levou 4 horas, R$150,00 reais este último.

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