Mãe, militante e negra.

NANDI Rainha da Terra Zulu (1778 - 1826)
Ser mãe militante negra é saber que é necessário ensinar diariamente pra seus filhos a história ANTES da escravidão.
É antecipar os ensinos distorcidos de história que a escola trará.
É ensinar para a criança, desde que ela aprender a falar as primeiras palavras, o valor de suas origens.

É estudar, estudar e estudar. Para ensinar.

Ensinar sobre reis, rainhas, guerras e lutas.





Fotografia: Cata Tempo Fotografias
Maquiagem: Thaís Angel MakeUp

E ainda assim ensinar que buscamos igualdade (e não o ódio) com quem hoje nos oprime.

É ensinar que o nosso cabelo é lindo e carrega consigo uma história.

É ensinar que as diferenças existem, que não somos iguais, e que isso é lindo.





Fotografia: Cata Tempo Fotografias
Maquiagem: Thaís Angel MakeUp
É temer pelo bebê menino que vem ao mundo.
Orar diariamente, desde o ventre, para que a polícia ou os facistas não o peguem.
Orar para que a maldade racista não atinja seus filhos.
E entender que a vida destas crianças não está em suas mãos.


Ser mãe militante negra é se entregar.
É escrever para ajudar os outros.
É dedicar tempo de conversa com quem está se descobrindo negro.

Dividir este tempo entre casa, marido, filhos e trabalho. Mas sem se esquecer da "família negra", que ultrapassa as paredes de sua casa e os limites de sua cidade, e que necessita também de sua ajuda.

Com Lívia Teodoro, líder do
Clube de Blogueiras Negras de BH
É aproveitar que a filha foi dormir na casa da vovó e marcar uma reunião para assuntos importantes da militância em sua casa.


E de quebra ganhar um abacaxi de presente da “miga” que, além de liderá-la no trabalho de blogueira, não se esquece que um dia você contou que estava com desejo de tomar suco de abacaxi.

É ir a eventos e reuniões importantes, mesmo passando mal, mas porque se lembra que outras gestantes deram seu suor em canaviais, lavouras e senzalas. E ainda assim, em meio a lutas e dores, geraram seus ancestrais.

Ensaio Fotográfico das Sapatilhas da Pé de CastanhaFotografia: Diogo Benigno
Maquiagem: Silvia Menezes

É posar para fotos, ter um dia de modelo, para que outras mulheres se vejam em você e se entendam bonitas também.
É entender que faz parte de um povo muito maior do que o que está dentro de casa, ou dentro do Brasil, ou dentro da América.
E se entender parte de um povo que foi espalhado pelo globo e igualmente está em busca de uma identidade.

Ser mãe militante negra é lutar diariamente enquanto, também diariamente, vence o preconceito (verbal ou não verbal) de quem a cerca.
É matar um leão por dia, e fazê-lo de jantar.
Ser mãe militante negra é lembrar que a cultura africana é matriarcal e portanto está em suas mãos guiar os passos de sua família.
É lembrar dos seus filhos, mas entender que seus filhos são gerados não só no ventre, mas em seus escritos, vídeos e ações.
Ser mãe militante negra é lutar por todos ao mesmo tempo que luta por si mesma.
E ainda assim se dar ao direito de ser frágil.
É lutar, sem perder a doçura.

Sheilla

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