Segunda Preta em BH!

Após um período de licença maternidade, eis que retorno com este artista que tanto amo e admiro: Evandro Nunes.

Ele vem nos contar sobre um projeto maravilhoso que surge em Belo Horizonte, a Segunda Preta, que é explicado logo abaixo através do texto enviado por Alexandre de Sena ao nosso canal!


Em sua 1ª temporada, a "segunda PRETA" nasce para fortalecer artistas negros de Belo Horizonte e formar um público cativo para espetáculos e experimentos cênicos negros


Às segundas-feiras, entre os dias 16 de janeiro e 20 de fevereiro, Belo Horizonte receberá a primeira temporada da segunda PRETA. Serão seis dias voltados para espetáculos e experimentos cênicos de artistas negros residentes na capital. Ao todo, serão 4 espetáculos teatrais, 3 cenas curtas e um experimento multimídia. Os ingressos têm preços populares. Quem residir fora dos limites da Avenida do Contorno para meia entrada. O Teatro Espanca! receberá toda a programação.

Nesta primeira temporada, a segunda PRETA homenageia Ruth de Souza. A estrela do teatro brasileiro fez história ao ser a primeira atriz negra a representar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Sua carreira foi construída com dedicação e perseverança, abrindo caminhos para diversos atores negros que até então não tinham espaço, seja no teatro, na televisão ou no cinema brasileiro. O projeto pretende reverenciar uma artista negra a cada temporada.

Teatro na segunda?
(E por que não? Ainda mais que) segunda-feira é dia de Exú. A palavra “Exú” significa, em iorubá, “esfera”, aquilo que é infinito, que não tem começo nem fim. Exu é o princípio de tudo, a força da criação, o nascimento, o equilíbrio negativo do Universo, o que não quer dizer coisa ruim. Exú é a célula mater da geração da vida, o que gera o infinito, infinita vezes. É considerado o primeiro, o primogênito; responsável e grande mestre dos caminhos; o que permite a passagem o inicio de tudo. Exú é a força natural viva que formenta o crescimento. É o primeiro passo em tudo. É o gerador do que existe, do que existiu e do que ainda vai existir.

Inspirado no projeto "Terça Preta", realizado pelo Bando de Teatro Olodum em Salvador, esta ação belorizontina receberá os espetáculos realizados e produzidos por jovens artistas negros da cidade, como Danielle Anatólio e a Cia. Espaço Preto, e de mais experientes, como Adyr Assumção e Gil Amâncio (integrando o Coletivo Black Horizonte).

A programação será recebida no Teatro Espanca!, no hipercentro de Belo Horizonte, numa região de grande efervescência cultural. Localizado embaixo do tradicional viaduto de Santa Tereza, está próximo a diversos centros culturais, praças cívicas e estações de transporte coletivo. Este espaço possibilita diálogo e acesso dos trabalhadores da capital.

Vitimismo ou resistência?
Não percebendo a população negra representada nos palcos e na plateia do teatro em nossa cidade, o que é um reflexo da sociedade, é necessário que nos façamos presente. O questionamento sobre o racismo estrutural, nesta ação, atravessa o campo da criação e reflete na estrutura produtiva da segunda PRETA.

Neste sentido, empretecer um dia da semana com espetáculos de qualidade, significa tocar a raiz da estruturação cultural eurocentrada desta linguagem e promover mudanças significativas na fruição teatral da cidade.

"Ô meu corpo, faça sempre de mim uma pessoa que questiona"
Frantz Fanon

Compartilho agora com vocês uma deliciosa entrevista na varanda com o artista Evandro Nunes, que encenará a primeira peça do projeto:

UP3 – União Performática Pessoas da Pessoa

Sinopse: Um homem. Uma missão: Reconstruir o mundo. Ele via anjos... Estava louco? Quando estava lúcido? Trancado em seu mundo, apenas com sua missão, buscava seu pouco de possível. No lugar de uma explicação oferece sua experiência pulsante do mundo, experiência concreta, em movimento, tão mais viva quanto inacabada.

Ficha Técnica
Companhia: UP3 – União Performática Pessoas da Pessoa
Concepção: Anderson Feliciano e Evandro Nunes
Atuação: Evandro Nunes
Dramaturgia: Anderson Feliciano
Cenário: Marcel Diogo
Figurino: Zora Santos
Luz: Valber Palmeira
Maquiagem: Catarina Queiroz
Duração: 35min
Indicação etária: Livre


Sheilla

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