Yes, we can?!

No dia 5 de outubro, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, virá ao Brasil como atração principal do Fórum Cidadão Global.

Este evento, promovido pelo Jornal Valor Econômico com o Banco Santander, na cidade de São Paulo, tem como tema “Mudar o mundo? Sim, você pode.”, fazendo uma alusão ao slogan “Yes, You Can”, de Barack Obama na época de suas eleições.

No evento, o ex-presidente Barack Obama falará sobre a importância das pessoas se envolverem em suas comunidades, trazendo para cada uma delas a responsabilidade na construção de um futuro melhor para a sociedade. 

Ironicamente, os ingressos disponíveis para este maravilhoso evento não é acessível à camada da população brasileira que mais deveria se atualizar sobre esta discussão: a população negra e periférica.

Não seriam estas pessoas, que compõem mais de 50% da população e que ocupam mais de 70% da comunidade carente do país, as mais interessadas em assistir a uma palestra que fala sobre responsabilidade social na construção de um futuro melhor, sendo ministrada por uma das maiores personalidades políticas mundiais?

Mas, devido ao alto custo dos ingressos (5 a 7,5mil reais), rapidamente esgotados, observamos que quem irá ter acesso à reflexão sobre a solução dos problemas sociais são pessoas de uma classe social distante da realidade da maior parte da população e que não conseguem, por falta de vivência, aprofundar nos problemas.

E baseado nisso, o que desejo, enquanto parte da população brasileira, é que possamos acolher este representante mundial através de um evento com preços acessíveis à população negra do nosso país. Evento formatado PARA ACOLHER a população negra e periférica. 

Não desejo algumas cortesias. 

Cortesias, que costumo traduzir por “cotas”, ainda nos manteriam na situação de minoria em um evento no qual deveríamos ser maioria na plateia. Além disso, estas cortesias (ou melhor, cotas) trariam para nós, negras e negros, algo que ainda lutamos muito para extinguir – dentre os vários efeitos colaterais que o período escravocrata nos deixou: a disputa entre nós pelas poucas vagas que nos são destinadas. Não quero disputar mais vagas escassas.

Quero que ocupemos o que é nosso por direito.

O que desejo é um evento com acessibilidade de preços ou solução que contemple a população negra, responsável pela construção desse país e que vive uma série de desvantagens em vista da população não-negra do Brasil.

É válido ainda lembrar do simbolismo contido neste evento.

Barack Obama é uma personalidade de suma importância para o povo brasileiro e mundial, visto que ele foi a primeira pessoa negra a ocupar um cargo de presidência em uma nação mundialmente reconhecida por seu poder político na atualidade.

A representatividade de um líder negro deste porte para um país majoritariamente negro não pode deixar de ser observada.

Baseado nesta petição que ousadamente faço em nome de todo um povo, mas que não passa nada além do desejo do meu coração, resolvi escrever um abaixo-assinado e uma carta para Barack Obama, com o intuito de que por algum golpe de sorte, dentro da minha ousadia, esta possa chegar até ele.

O abaixo-assinado, você encontra aqui: https://goo.gl/2ZhCHt

Eis a carta a ser compartilhada: goo.gl/c2X2WP

A tradução está aqui:

“Caro Barack Obama,

Sou Sheilla Antao, 39 anos, mãe de duas lindas crianças, militante por causas raciais e montei atualmente uma startup que tem como principal objetivo a justa monetização da mão-de-obra da população negra.

Fui tardiamente informada sobre um evento que ocorrerá em nosso país, tendo você como uma das principais atrações.

Minha primeira reação foi de ficar tremendamente feliz por receber em meu país um dos maiores nomes mundiais em termos de representatividade para a população negra!

Mas, infelizmente, minha alegria se esvaiu quando tomei conhecimento sobre o valor dos ingressos para tal evento (R$5000 a R$7500). Logo deduzi porque não havia tomado conhecimento para tal evento. Ele não foi projetado para pessoas como eu.

A construção racial em nosso país se deu de uma forma muito diferente dos EUA e sua desconstrução também. Ainda estamos décadas atrás no que diz respeito à luta por igualdade de direitos.

Em nosso país, a representação política e midiática da camada negra ainda é muito escassa, ainda que representemos 50% da população do país. Além disso, contamos com dados alarmantes sobre o genocídio da população negra em que uma média de 83 jovens negros morrem diariamente em nossas terras.

Considerando que 70% da nossa população pobre seja negra, fica visível para todos nós a cor da plateia que irá sediar o seu evento, dado o valor dos ingressos e sua pouca divulgação nas redes sociais populares.

Por isso, venho através desta carta, perguntar se seria viável produzirmos um evento, na mesma data, onde você possa discutir o mesmo tema proposto, mas agora voltado para afrodescendentes.

Espero ansiosamente que esta carta chegue ao seu conhecimento, com a esperança que este ousado pedido se torne realidade.

Deus o abençoe.

Sheilla.”

Sheilla

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